Falhando bem, que mal tem? (Parte II)

Em 12 de Setembro de 1962 o então atual presidente dos Estados Unidos fez uma promessa ao seu povo. John F. Kennedy vendeu o sonho de levar o homem a lua, ainda naquela década, para os mais de 35 mil espectadores no estádio da Rice University. Ninguém sabia como fazer isso é claro, mas após 4 tentativas o projeto Apollo, no ano de 1969, conseguiu realizar a primeira alunagem e concretizar o desejo de tantos aqui na terra. Assim como o desafio proposto por JFK, muitos projetos em nossos trabalhos são tão desafiantes quanto. Durante o texto de hoje espero conseguir elaborar melhor o assunto levantado no texto da semana passada e trazer um novo olhar sobre os benefícios em falhar.

“A única forma de conseguir que as pessoas tenham ideias audaciosas e fazer com que resolvam primeiro as maiores dificuldades do problema, é mostrar a elas que esse é o caminho mais simples”

-Astro Teller, TED 2016

  • Como vamos matar o projeto?

Toda vez que uma iteração esta prestes a começar todos integrantes do time devem pensar nos principais desafios que aquele projeto tem. Para fazer este trabalho gosto de usar o diagrama de Ishikawa, escama de peixe, mapeando assim os pontos encontrados. Cada desafio deve ser uma escama nova adicionada. Tendo assim mapeado todas as incertezas fica mais fácil de se fazer um plano e seguir em frente. Importante lembrar que no final de cada iteração deve-se reavaliar o projeto e mapear os novos desafios.  Este ciclo só deve terminar quando o projeto chegou ao fim.

  • Uma tentativa vale tanto quanto um sucesso.

Quando nos focamos muito no sucesso temos a tendência de esquecer que primeiro precisamos tentar. Se não mostrarmos que o caminho de menor resistência é aquele em que nos preocupamos em tentar e não em falhar, o foco de todos os integrantes pode mudar. Valorize as tentativas de todos que trabalharam no projeto indiferente do resultado final. Gosto de avaliar o time de desenvolvimento pela coragem em tentar e não por realizar a mesma tarefa da mesma maneira. Thomas Edison levou milhares de tentativas para achar o filamento ideal. “High fives” e elogios são necessários para cada tentativa executada de acordo com o planejamento. De acordo com a liberdade da empresa em que trabalhas, bonifique a equipe com a ideia mais inovadora e procure sempre manter esta ideologia no ar.

  • Quando parar?

Agora chegamos na parte árdua do processo. É difícil saber ao certo quando devemos parar em um projeto e seguir em frente. Em um mundo ideal todos integrantes chegariam a conclusão lógica que não existe motivo para continuar trabalhando naquela ideia e partiriam para a próxima, mas nem sempre todos os membros do time compartilham a mesma visão. Gosto da ideia de que cada um deve ter um tempo reservado para trabalhar com o que deseja dentro da empresa. Claro que este tempo não pode impactar o progresso da equipe durante as diversas iterações de outros projetos, mas procure dar a liberdade de cada um trabalhar em algo que o motiva de vez enquanto. As vezes você pode ficar surpreso como alguns projetos dão a volta por cima.

No final temos através dessas ideias um fluxo focado em testar cada incerteza de um projeto através de inúmeras tentativas e erros. Sabemos que este tipo de trabalho é essencial para tantas metodologias ágeis hoje no mercado. Pense grande, haja pequeno e falhe rapidamente. Termino este texto sem reiterar os pontos vistos no último post, mas sim contando uma história assombrosamente bela que me deparei durante minha pesquisa para este texto. Taniyama,um brilhante  matemático, fora um dos criadores da conjectura Shimura-Taniyama. Infelizmente ele não pode ver o final de sua obra, porque sofria de depressão e no final acabou tirando sua própria vida. Goro Shimura, seu colega de trabalho, um dia falou sobre o seu companheiro o seguinte : “Ele (Taniyama) não era uma pessoa muito cuidadosa como matemático. Ele cometia muitos erros, mas todos eles eram erros na direção correta. Eu tentei imitar ele, no entanto eu descobri que é muito difícil cometer bons erros.”. Assim como Shimura deduziu, sabemos que é difícil saber se estamos caminhando na direção correta em alguns projetos, no entanto apenas tentando e errando é possível descobrir.

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